NED – A FACE DA MORTE (NED THE NARCISSIST) FINAL

Desenterrado por
E assim, Jethro por todo aquele repetitivo modos operandi ao qual ele já não poderia mais ignorar, resolve fazer o que o índio havia lhe dito. E assim, sem solicitar nenhuma ajuda que fosse, de tão afobado para resolver esse terrível e assombroso caso, o destemido xerife Jethro pega uma viatura e segue para o que seria o esconderijo de Ned, uma cabana velha num bosque nos confins daquela cidadezinha. E lá chegando já era noite e a imagem com a qual ele se depara é a mais aterradora. A casa permanecia abandonada mesmo após ter passado tanto tempo da prisão e condenação daquele assassino. Aqueles pacatos interioranos com certeza deveriam ter alguma superstição, tabu ou medo mesmo de querer compartilhar da forma que fosse, algo de alguém que fora tão cruel. Aquelas fitas que a polícia envolve num local de crime, apesar de já se arriando, ainda se encontravam envolta daquela propriedade. E quando Jethro as ultrapassa, o arrepio lhe toma a espinha diante de tantas coisas bizarras e profanas que ele encontra por onde passa. Todos aquelas carcaças de animais, cruzes, talismãs indígenas, Totens e algumas imagens de demônios esculpidas em madeira pelo próprio Ned com o seu estilhete. Tudo aquilo indicava que com certeza Ned praticava seus rituais macabros ali. E o que também impressionou Jethro e confirmou o que aquele índio lhe disse, era a quantidade de espelhos de todas as formas que haviam espalhados pelo lote. Alguns estavam quebrados e outros possuíam cruzes pintadas por algum tipo de tinta índigena ou sangue mesmo. E com o espelho mais limpo ou nítido que ele encontra, é que Jethro resolve fazer o que Nahele lhe orientara.
Ele ainda reluta suspirando, afinal até para o íntegro homem da lei que ele se tornara era difícil não só ter que reconhecer erros tão lamentáveis, além de suas consequências e ainda tentar se retificar de tudo isso. Mas após respirar fundo, diante daquele espelho e sua própria imagem, Jethro não só pede perdão pelas chacotas e maldades que dizia ao então jovem Ned, mas ainda chamando o ausente Ned por seu nome todo, também se mostra arrependido chegando a se culpar pela morte da mãe do mesmo e dizendo o quanto que ele e todos aqueles vizinhos preconceituosos erraram com ele. Algumas lágrimas daquele arrependido xerife caem de seu rosto. E quando uma dessas gotas atinge aquele espelho, o mesmo estranhamente se parte na mão de Jethro que com o susto o solta deixando-o se espatifar no chão. Jethro ainda se mantém pasmado, mas se alivia ao supor de que aquilo era um sinal de que Ned ou havia perdoado. E feliz, Jethro ainda fala sozinho agradecendo à grandeza do espírito daquele aparente e também remido assassino.
Aquela cidade mais uma vez e dessa vez talvez para sempre estaria livre do terror de Ned apesar de muitos daqueles moradores ainda assutados não quererem relembrar o assunto e nem mesmo o tão curto e fácil nome daquele assasssino. A rotina pacata e mesmo que timidamente feliz daquela pequena cidade havia se retomado. E num destes dias, o bravo e que também se mostrara honrado xerife Jethro, num horário de folga, com sua vitatura resolve seguir até aquela velha cabana que servia de esconderijo para Ned. E para sua surpresa aquela cabana havia sido reformada e uma simpática família havia se mudado para lá. Uma das meninas daquela família ao aparecer no quintal e notar a viatura de Jethro, de uma forma bem meiga e amistosa, com uma boneca em mãos lhe manda de longe uma largo sorriso com suas bochechinhas sardentas a se esticarem, e que também é acompanhado por um também singelo aceno que é timidamente respondido por Jethro de dentro daquele carro. E após este momento de ternura, quando Jethro se prepara para ligar o veículo e sair dali, ao olhar para o retrovisor(interno) e pensa ter notado o rosto pavoroso de Ned surgir rapidamente  batendo sua esquelética mandíbula no banco traseiro. Mas ao olhar de novo e também após se virar rapidamente para ver se tinha mesmo alguém atrás dele, Jethro se alivia ao ver que era só uma ‘impressão’. E é quando ele se vira de volta que nota em seu carona nada mais do que o próprio Ned sentado lhe sorrindo com aquela face terrivelmente deformada. Jethro não tem tempo de nada e além de ser completamente esfacelado pelo quasímodo, também com toda a violência é estocado até a morte com aquele estilete. O corpo de Jethro é encontrado com o rosto em carne viva e totalmente sem pele. Seus olhos também foram impiedosamente arrancados. ‘Aquilo era obra de Ned… O Ned em pessoa havia feito aquilo…Ned estava de volta’…! Era o que aqueles novamente assustados moradores daquela cidadezinha diziam aos quatro ventos.
O pânico retornara à ponto de muitos deixarem de se olhar em espelhos e assim não cuidarem da própria aparência se tornando tão pavorosos esteticamente quanto o temido Ned . Outros quebravam todos os espelhos ou tudo que tivesse em casa e pudesse produzir reflexo e se embaçar. Vidraçarias eram depredadas e desesperadas ‘fugas em massa’ tornavam a acontecer naquele lugar. Aquela cidade que ninguém mais sabia o nome por não se querer se pronunciar devido ao pavor que o seu deformado e terrível ‘filho’ causara, provavelmente deixara de existir. Mas a lenda de Ned o Narcisista, não! E verdade ou não, você que passou a conhecer essa história ou quem mais que tiver coragem; experimente naquela noite, daquele dia mais frio, na hora do banho deixar o box aberto com todo o vapor de seu agradável chuveiro quente a nublar todo o seu banheiro até a névoa também tomar o espelho mais próximo…ou se preferir, dê só algumas baforadas no mesmo espelho e deixe que ele se nuble por completo, e quando isto acontecer esfregue para conferir se será mesmo a sua face que você verá refletida ali.