NED – A FACE DA MORTE (NED THE NARCISSIST)

Desenterrado por
Ned Craven era levado até a câmara de gás onde receberia a pena capital ou pagaria pelos seus cruéis e doentios crimes de morte praticados por um simples estilete. Ele que era conhecido como Ned ‘The Narcissist’, tinha um macabro ritual assassino que incluía esfacelar suas vítimas, arrancar seus olhos e além de esfolar a face das mesmas, fazer das peles arrancadas, bizarras e horrendas máscaras com as quais praticava seus crimes e que também dificultaram e muito a sua identificação. Ned além de toda a sua crueldade, também havia nascido com uma terrível deformidade facial. E isto sempre foi um grande trauma em sua vida desde a infância. Ele não possuía amigos, não ia a escola e até seus vizinhos evitavam passar próximo ao trailer onde ele viva com sua velha mãe e única pessoa que o amava e a quem ele amava. Sua primeira vítima fora um de seus ‘coleguinhas’ que tanto lhe praticava bullyings durante a infância.
Ned já mais do que estupefato com todos aqueles preconceituosos ataques, portando um canivete fizera uma imensa cicatriz na face daquele que era nada mais do que o filho do xerife do condado onde ele morava. Isso revoltou a todos os moradores que já não suportavam a presença daquele ‘pequeno monstro’ em seu bairro. E também num ato de monstruosidade, com o aval daquele xerife autoritário, estes simplesmente incendiaram o trailer enquanto Ned e a mãe dormiam. Este logo desperta quando percebe as chamas e ainda consegue salvar a mãe, mas devido a gravidade das queimaduras, a mesma não resiste e acaba falecendo. Ned logo se revolta com aquilo, ‘cai no mundo’ e quando cresce retorna para aquela cidadezinha onde dá início a sua vingança ou ‘reinado de terror’. Ele agora era Ned ‘The Narcissist’. E todos o pagariam pelo que lhe fizeram.
Seus crimes eram as principais manchetes dos jornais locais. Ninguém mais saía na rua e muitos até deixavam aquela cidadezinha do interior do Tennessee. Mas aquele xerife apelidado de ‘Jethro Cicatriz’ e que era aquele mesmo jovem e primeira vítima de Ned, fora o homem de grande bravura capaz de identificar e capiturar o tão temido ‘assassino quasímodo’. E já prestes a ser executado, Ned demonstra uma certa e também doentia tranquilidade. Os espectadores do ‘show macabro’ daquela execução, era formado por seus antigos vizinhos e parentes de algumas de suas vítimas e também dos quais num passado recente vitimaram o então pobre Ned com o seu terrível bullying por causa de sua congênita deformação. E apesar de tudo, o pavor era o mesmo diante daquela face deformada de Ned. Aquelas pessoas todas preconceituosas, viravam a cara, faziam cara de nojo ou pena e quem conseguia encará-lo ainda desferia-lhe um xingamento de onde estava. O único que se matinha complacente com aquela pobre alma era o padre presente, já que até mesmo os policiais chegaram a exibir Ned como um ‘animal no zoológico’ ou uma aberração de um ‘circo de horrores’ que suas odiosas galhofas promoviam durante o tempo da custódia do mesmo.
Ned recusou o direito da última refeição que é dado a todo o condenado à morte. Ao invés disso, ele estranhamente pede para se ver em algum espelho antes de adentrar àquela câmara. Os guardas estranham e até acham graça, mas como sabiam do caráter psicopático de Ned e que o facínora estaria em seus últimos momentos mesmo…estes resolvem aliviar e atender a estranha extravagância do ‘quasímodo’. E feito isso, em seguida, o infeliz é praticamente atirado para dentro daquela câmara onde todos aqueles sádicos especatadores assistiam vitoriosos aquela vida se esvair em meio a todo aquele gás. A rotina de paz e tranquilidade se retomara depois de tudo aquilo. Até o piqueniques à beira de um lago do parque local, voltaram a ser promovidos por felizes famílias com seus filhinhos e filhas com seus cachinhos dourados e os quais o único temor agora eram das formigas que sempre atacavam as guloseimas estiradas sobre aquela toalha.
Susannah Wilbur uma devota e praticante presbiteriana da igreja local. Esta hoje praticamente participava do ‘clérigo’ daquela cidadezinha, mas num passado não muito distante, ela era a líder e mais cruel das cheerleaders do ginásio local. E logo, uma das maiores ‘inquisidoras’ do pobre Ned e sua deformação. Hoje tudo isso era parte de um passado remoto para ela. E o que Ned fizera com sua antiga colega era bem mais monstruoso do que o seu ‘bullying infantil’ segundo a sua concepção.
Esta voltava de mais um daqueles fervorosos cultos, e após se despir e ligar seu chuveiro quente em seu banheiro, ela nota que esquecera o seu xampu. A mesma então abre o box e sai para pegá-lo sobre a ‘farmacinha’, mas nisso, o vapor do chuveiro toma todo o banheiro inclusive o espelho da tal farmacinha. E ao ver o espelho embaçado, Susannah resolve passar a mão no mesmo que assim que se clareia, ao invés de sua face, o que o mesmo lhe ‘reflete’ é a horrenda face deformada de Ned. Este surge lhe sorrindo e batendo sua esquelética mandíbula. Ela toma um susto, mas antes que pudesse ter qualquer outra reação, acaba entrando numa espécie de transe. Ned agora a controlava. E entrando nos pensamentos daquela religiosa mulher, ordena que esta matasse, esfacelasse o seu marido e ao arrancar os olhos do mesmo, os comesse. E esta, sai do banheiro do jeito que está, e nua, munida com uma faca de cortar carne surpreende o pobre homem assim que esse passa pela porta.
Quando se é sabido do fato, ninguém, nem a própria Susannah sabe o que aconteceu. Esta, já está fora do transe, mas mesmo assim será indiciada pelo cruel assassinato de seu marido. Todos inclusive a polícia daquele condado se intrigam não só pelo fato de Susannah ser religiosa e logo julgada de ser incapaz de uma atrocidade daquela, mas também pelo fato do ritual assassino lembrar e muito o daquele da qual até aquela jovem carola fizera questão de assistir a execução.
Dias depois, não muito longe da casa de Susannah, Kodiak um caminhoneiro que vivia sozinho e também um antigo ‘amigo de infância’ de Ned, enquanto assistia a um jogo em sua sala com um amigo, resolve ir ao banheiro após toda aquela rodada de cerveja em lata que os dois dividiam. Já no reservado, ele se alivia, mas antes de sair dali, ao olhar no espelho com o seu charuto, acidentalmente dá-lhe uma baita baforada. Ele ajeitava o seu boné quando do meio das brumas que se chocavam contra aquele espelho, a horrenda face de Ned surge da mesma forma que surgira para Susannah. Kodiak se assusta e também acaba ‘possuído’ pela alma de Ned que faz com que Kodiak mate o amigo com o seu mesmo ritual, e ao fazê-lo, Kodiak com uma máscara improvisada da pele da face do amigo morto que ele esfacelou, este sai pelas ruas noturnas de sua cidade atropelando pessoas com o seu caminhão ou as matando com as próprias mãos. Ele só é parado pelo xerife Jethro que fazia compras numa  delicatessem onde o possuído e bizarramente mascarado Kodiak entrara. Jethro sem escolha acaba tendo que matar com um tiro certeiro de sua Magnum aquele seu antigo amigo de infância.
Num outro dia, na casa de uma outra mulher que também assistira a execução de Ned. Esta insistia para que os seus ‘filhos levados’ entrassem na casa e fechassem as portas por causa do nevoeiro que aquele dia frio traizia. As crianças não a obedecem, e com isso, um pouco daquelas brumas adentraram a casa tomando o vidro da janela onde a mulher acaba se olhando e também se deparando com a face de Ned que logo lhe controla e a faz com que na posse de um martelo do próprio esposo, esta massacrasse a todos sem piedade.
Esses estranhos crimes ficavam cada vez mais constantes e tomavam mais e mais proporções até chegarem aos telejornais. Além de todas as vítimas terem alguma relação com a execução de Ned, muitas pessoas que se chocavam ou se impressionavam com todo aqueles requintes de crueldade e seus macabros rituais já começavam a imaginar que fosse a ‘alma de Ned’ querendo vingança. Aquela cidade se tornara uma ‘cidade fantasma’ novamente com a proporção que o caso tomara.
Pete ‘Nahele’, um descendente de índios de uma certa ‘etnia obscura’ que acolhera Ned durante as errantes andanças do mesmo, resolve aparecer na cidade natal do assassino para alertar o xerife sobre os ataques que de fato seriam obra do próprio. O xerife se mantém descrente, pois ele era um dos espectadores do ‘camarote’ formado diante da execução daquele ‘assassino quasímodo’. Mas na tranquilidade de sua sabedoria indígena, aquele xamã tenta explicar ao discrente e já exaltado xerife, que Ned havia conseguido voltar graças a um tipo de feitiço que ele se arrependera de ter ensinado ao rapaz. O índio sabendo dos complexos daquele pobre infeliz, lhe ensinara um tipo de ‘encantamento’ que ele aprendera com sua avó índia, e no qual Ned teria paz com sua aparência e em sua alma se este fizesse corretamente todo o ritual. Este ritual ancestral foi passado de greaçao em geração por uma tataravó daquele índio que o fizera apartir de um espelho que esta ganhara de um colono ainda durante a época da colonização dos Estados Unidos. Aquela jovem índia e todos de sua tribo ao se verem refletidos tão nitidamente por aquele fascinante objeto, imaginaram que os brancos ou os ‘caras pálidas’ tinham o poder de ‘aprisionar almas’ com aquilo já que eles entendiam que apenas os lagos e os oceanos eram capazes de refletí-los, e para eles era inconcebível que tão pequeno e portátil objeto pudesse fazer o mesmo.
E foi pensando assim, que o xamã da aldeia desenvolvera uma ‘reza pagã’ para proteger aquela indiazinha que recebera tal presente. Mas este feitiço, a princípio direcionado para o bem, possuía alguns ‘efeitos colaterais’ se caso Ned não fizesse da maneira correta. E por conhecer a natureza falha do caráter daquele assassino, Nahele sabia que este poderia ter feito o feitiço da forma errada de propósito e assim pôde retornar do mundo dos mortos para executar seu funesto plano de vingança. Ainda descrente se mantendo irônico, aquele xerife pergunta ‘o que então se poderia fazer para parar a fúria de Ned’. E antes de sair, o índio lhe diz que tudo aquilo era devido ao grande rancor que Ned trazia por aqueles que lhe fizeram mal primeiro no passado. E o que se poderia fazer era que um destes seus supostos malfeitores fosse até a casa de Ned, e ao achar algum espelho que lá se encontrasse, encarando o próprio reflexo no mesmo, esta pessoa deveria assumir sua falha e se confessar, e assim todo aquele terrível feitiço  se quebraria e Ned finalemtne poderia descansar em paz. O xerife Jethro ainda se mantinha descrente, mas quando o tal índio sai, ele ainda tenta considerar pensando no que lhe fora dito pelo mesmo. Ele que no passado era um dos grandes perseguidores ou incentivadores de todo o bullying sofrido pelo até então pobre infante Ned, procura ver algum sentido em tudo aquilo que aquele indígena lhe dissera.
E quando Nahele já está sobre sua ‘Harley’ se preparando para sair dali, uma velha caminhonete que passara na rua, enguiça bem próximo a ele, soltando um verdadeiro ‘fumacê’ de seu tubo de descarga que quase ‘explode’ naquela pista. E toda aquela fumaça passa por cima do espelho retrovisor da moto de Nahele, que acaba se deparando com a face de Ned naquele pequeno espelho. Esta o possui e faz com que enlouquecido, com uma machadinha aquele índio atacasse todos que encontra pela frente. Este, logo acaba sendo morto por Jethro e seus homens.
E assim, Jethro por todo aquele repetitivo modos operandi ao qual ele já não poderia mais ignorar, resolve fazer o que o índio havia lhe dito. E assim, sem solicitar nenhuma ajuda que fosse, de tão afobado para resolver esse terrível e assombroso caso, o destemido xerife Jethro pega uma viatura e segue para o que seria o esconderijo de Ned, uma cabana velha num bosque nos confins daquela cidadezinha. E lá chegando já era noite e a imagem com a qual ele se depara é a mais aterradora. A casa permanecia abandonada mesmo após ter passado tanto tempo da prisão e condenação daquele assassino. Aqueles pacatos interioranos com certeza deveriam ter alguma superstição, tabu ou medo mesmo de querer compartilhar da forma que fosse, algo de alguém que fora tão cruel. Aquelas fitas que a polícia envolve num local de crime, apesar de já se arriando, ainda se encontravam envolta daquela propriedade. E quando Jethro as ultrapassa, o arrepio lhe toma a espinha diante de tantas coisas bizarras e profanas que ele encontra por onde passa. Todos aquelas carcaças de animais, cruzes, talismãs indígenas, Totens e algumas imagens de demônios esculpidas em madeira pelo próprio Ned com o seu estilhete. Tudo aquilo indicava que com certeza Ned praticava seus rituais macabros ali. E o que também impressionou Jethro e confirmou o que aquele índio lhe disse, era a quantidade de espelhos de todas as formas que haviam espalhados pelo lote. Alguns estavam quebrados e outros possuíam cruzes pintadas por algum tipo de tinta índigena ou sangue mesmo. E com o espelho mais limpo ou nítido que ele encontra, é que Jethro resolve fazer o que Nahele lhe orientara.
Ele ainda reluta suspirando, afinal até para o íntegro homem da lei que ele se tornara era difícil não só ter que reconhecer erros tão lamentáveis, além de suas consequências e ainda tentar se retificar de tudo isso. Mas após respirar fundo, diante daquele espelho e sua própria imagem, Jethro não só pede perdão pelas chacotas e maldades que dizia ao então jovem Ned, mas ainda chamando o ausente Ned por seu nome todo, também se mostra arrependido chegando a se culpar pela morte da mãe do mesmo e dizendo o quanto que ele e todos aqueles vizinhos preconceituosos erraram com ele. Algumas lágrimas daquele arrependido xerife caem de seu rosto. E quando uma dessas gotas atinge aquele espelho, o mesmo estranhamente se parte na mão de Jethro que com o susto o solta deixando-o se espatifar no chão. Jethro ainda se mantém pasmado, mas se alivia ao supor de que aquilo era um sinal de que Ned ou havia perdoado. E feliz, Jethro ainda fala sozinho agradecendo à grandeza do espírito daquele aparente e também remido assassino.
Aquela cidade mais uma vez e dessa vez talvez para sempre estaria livre do terror de Ned apesar de muitos daqueles moradores ainda assutados não quererem relembrar o assunto e nem mesmo o tão curto e fácil nome daquele assasssino. A rotina pacata e mesmo que timidamente feliz daquela pequena cidade havia se retomado. E num destes dias, o bravo e que também se mostrara honrado xerife Jethro, num horário de folga, com sua vitatura resolve seguir até aquela velha cabana que servia de esconderijo para Ned. E para sua surpresa aquela cabana havia sido reformada e uma simpática família havia se mudado para lá. Uma das meninas daquela família ao aparecer no quintal e notar a viatura de Jethro, de uma forma bem meiga e amistosa, com uma boneca em mãos lhe manda de longe uma largo sorriso com suas bochechinhas sardentas a se esticarem, e que também é acompanhado por um também singelo aceno que é timidamente respondido por Jethro de dentro daquele carro. E após este momento de ternura, quando Jethro se prepara para ligar o veículo e sair dali, ao olhar para o retrovisor(interno) e pensa ter notado o rosto pavoroso de Ned surgir rapidamente  batendo sua esquelética mandíbula no banco traseiro. Mas ao olhar de novo e também após se virar rapidamente para ver se tinha mesmo alguém atrás dele, Jethro se alivia ao ver que era só uma ‘impressão’. E é quando ele se vira de volta que nota em seu carona nada mais do que o próprio Ned sentado lhe sorrindo com aquela face terrivelmente deformada. Jethro não tem tempo de nada e além de ser completamente esfacelado pelo quasímodo, também com toda a violência é estocado até a morte com aquele estilete. O corpo de Jethro é encontrado com o rosto em carne viva e totalmente sem pele. Seus olhos também foram impiedosamente arrancados. ‘Aquilo era obra de Ned… O Ned em pessoa havia feito aquilo…Ned estava de volta’…! Era o que aqueles novamente assustados moradores daquela cidadezinha diziam aos quatro ventos.
O pânico retornara à ponto de muitos deixarem de se olhar em espelhos e assim não cuidarem da própria aparência se tornando tão pavorosos esteticamente quanto o temido Ned . Outros quebravam todos os espelhos ou tudo que tivesse em casa e pudesse produzir reflexo e se embaçar. Vidraçarias eram depredadas e desesperadas ‘fugas em massa’ tornavam a acontecer naquele lugar. Aquela cidade que ninguém mais sabia o nome por não se querer se pronunciar devido ao pavor que o seu deformado e terrível ‘filho’ causara, provavelmente deixara de existir. Mas a lenda de Ned o Narcisista, não! E verdade ou não, você que passou a conhecer essa história ou quem mais que tiver coragem; experimente naquela noite, daquele dia mais frio, na hora do banho deixar o box aberto com todo o vapor de seu agradável chuveiro quente a nublar todo o seu banheiro até a névoa também tomar o espelho mais próximo…ou se preferir, dê só algumas baforadas no mesmo espelho e deixe que ele se nuble por completo, e quando isto acontecer esfregue para conferir se será mesmo a sua face que você verá refletida ali.