O DRONE

Desenterrado por
Na pequena cidade de ‘Papo Pro Ar’ no interior do estado, nas casas, no coreto da pracinha, nos sítios ou em qualquer parte daquela cidadezinha, todos se espantavam com aquele misterioso ‘corpo celeste’ que de repente despontara junto àquele luar de sertão. Muitos mais empolvorosos saíam das casas e se juntavam a se perguntar o que seria aquilo. Outros já filmavam com seus celulares aquela estranha ‘estrela vermelha’ que não parava de piscar. Seria alguma assombração, ‘alma do outro mundo’, ‘Mãe-de-Ouro’…algum disco voador?! Era o que aquela gente pacata se perguntava. Até que é sabido por meio daqueles moradores mais ‘viajados’, que aquilo na verdade se tratava de um ‘drone’. Aquele povo não tinha a mínima ideia do que era isso, mas aqueles que costumavam viajar para a ‘cidade grande’ explicava que lá existia uma moda em que algumas pessoas ‘de condição’ colocavam no ar esse tipo de ‘pequeno helicóptero’ para sobrevoar a região onde estes moravam. Ao conseguirem entender isso, os moradores ficaram mais tranquilos, e além de continuar se maravilhando, também se perguntavam…quem seria o dono daquela geringonça?! O tal objeto parecia ‘onipresente’. Ao mesmo tempo em que era avistado na parte mais urbana daquele lugarejo, também era visto na área mais rural ou onde fosse. Ele parecia mesmo ‘monitorar a área’, se mantendo sobre as casas e até mesmo parecendo perseguir alguns daqueles populares. Eles se confortavam com a ideia de que aquilo se tratava mesmo de um drone e já até especulavam que o misterioso ‘aparelhinho’ era pertencente ao filho de um rico fazendeiro da região. As crianças já brincavam de perseguir aquele objeto, mas muitos daqueles moradores mais pacatos já tratavam de fechar rapidamente suas janelas assim que o misterioso aparelho despontava no ar. Estranhamente sempre no começo da noite. As conversas naquele barzinho, ponto de encontro tanto da velha guarda local quanto dos mais novos ou de algumas senhoras que ali se juntavam para comprar alguns víveres, não era outra. Até que Seu Tião, dono de um rincão com algumas cabeças de gado, ao apiar de seu cavalo, chega reclamando de estranhas queimadas em seus pastos além de desaparecimentos e mortes misteriosas e violentas de algumas de suas ‘criações’. Seu gado, até mesmo os novilhos ou eram ferozmente desmembrados ou ‘tostados’ por algo que simplesmente ‘incinerava’ os bichos. Todos se espantam e não encontravam nenhuma explicação para o fenômeno. Até que ‘Boa Viagem’, um andarilho conhecido de todos por sua bebedeira e seus ‘delírios cantados’ com uma vela viola pela praça da cidade, se intromete na conversa e diz que tudo o que ocorrera nas terras de Seu Tião era obra do que ele chamava de ‘povo do céu’. Um nome particular para o que seria os seres extraterrestres. E este ainda completa dizendo que o tal misterioso drone era na verdade um tipo de ‘sonda’ dos mesmos. Boa Viagem tinha esse apelido por suas andanças ou misteriosos desparecimentos que segundo ele era por conta de ‘abduções’ feitas por estes seres extraterrenos. Mas ninguém ‘dava conversa’ para ele que também era tido como louco. E já fartos do que eles julgavam ‘delírios’ daquele mendigo, o enxotam dali como um ‘cachorro vagabundo’. E nas noites que se seguiram, mais coisas estranhas tornaram a acontecer. Os televisores começavam a apresentar estranhos problemas que surgiam no exato momento em que o misterioso drone aparecia, os telefones fixos ou celulares tocavam no meio da madrugada e quando se atendia, o que se ouvia eram estranhas ‘vozes metálicas’ e cheias de interferências intraduzíveis. Mais animais surgem desmembrados e desta vez um pescador também aparece com estranhas queimaduras que segundo ele surgiram após o seu encontro com o tal drone. Todo o povoado começa a ficar alarmado, e o andarilho Boa Viagem, mesmo com o desprezo de todos, com sua inseparável viola continuava a insistir com o seu ‘povo do céu’. As crianças de ‘Papo Pro Ar’ adoravam as histórias daquele trovador andarilho, e estas sempre se juntavam a ele formando rodas no coreto e pelos bancos de concreto daquela pracinha. Na noite seguinte, mais estranhos acontecimentos se deram. Mas dessa vez a proporção ainda fora mais graves, pois várias crianças do município foram dadas como desaparecidas. Sem deixar qualquer rastro, todos aqueles pequeninos dos quais muito adoravam brincar de perseguir o tal drone e de ouvir as histórias de ‘Boa Viagem’, simplesmente desapareceram. O desespero tomou conta daquele lugarejo. E Boa Viagem continuava a insistir na história dos OVNIs. E desta vez aquelas pessoas já transtornadas e estupefatas com aquela ‘conversa fiada’ do mendigo, começam a desconfiar do mesmo, já que sempre o viam rodeado daqueles pequeninos pela praça afora. Boa Viagem ainda tenta se explicar usando de seus ‘argumentos fantásticos’, mas ninguém lhe dera ouvidos. E todos aqueles populares enfurecidos já o amarram e o levam para praça onde o linchariam. Boa Viagem é socado e chutado por toda aquela multidão. E quando já estava prestes a ser morto, a polícia surge e o salva. Imparciais, os policiais escutam os protestos e acusações dos moradores. E após isso, levam o quase desfalecido Boa Viagem para a delegacia. Algum tempo depois, após vários interrogatórios nos quais o pobre Boa Viagem relatava coisas como: seres prateados de cabeça e olhos grandes que faziam estranhas cirurgias ou ‘casulos humanos’ com as pessoas, além de ouvir tudo isso e de fazerem algumas averiguações, a polícia conclui que Boa Viagem dava nítidos sinais de demência. E sendo assim o internam num sanatório. A culpa pelo sumiço das crianças, de fato havia caído sobre aquele coitado. Mas o misterioso drone continuava a surgir, e com isso, além de mais pessoas desaparecerem sem qualquer explicação, algumas outras lotavam o hospital e o postinho de saúde onde davam entrada com uma estranha e fatal febre que era erroneamente diagnosticada como ‘febre amarela’. E com tudo isso somado ao pavor de toda aquela pequena população, as autoridades não tiveram escolha a não ser levar tais ‘boatos’ em consideração, e assim iniciar uma investigação sobre o misterioso drone. Mas não se tinha qualquer ideia de onde o aparelho partia.
[continua]
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